A solidão das assistentes virtuais

Acenda as luzes, Alexa!

Acenda as luzes, Alexa!



Talvez você já tenha dado este comando para a sua assistente de voz. Ou qualquer outro
comando, já que ela é uma assistente de voz sem nenhum tipo de emoção. E hoje vamos falar sobre esta tecnologia cada vez mais presente em nossas vidas e controlando as nossas casas.

Alexa, qual é o sentido da vida?

Gigantes como a Amazon, Microsoft, Apple e Google já contam com suas próprias assistentes.
Elas são capazes de executar tarefas de acordo com os comandos que recebem, como rodar
sua playlist, informar a previsão do tempo, anotar compromissos, montar uma lista de compras e até mesmo dar play no seu podcast favorito. Prático, não é?

As assistentes expandiram suas presenças para TVs, carros e eletrodomésticos, apresentando
na prática um conceito de vida inteligente, que só fazia parte da imaginação das pessoas antes dos anos 2000. Além disso, a voz das assistentes está cada vez mais real e humana, pois agora são criadas por técnicas de rede neurais ao invés de serem recortes de sons compilados. Elas são capazes até mesmo de utilizar gírias durante as suas falas.

Ok, mas o que isso significa em nossas vidas?

Uma excelente metáfora é a do filme “Ela” – ou Her, no título original. Enquanto o escritor de cartas personalizadas Theodore vive uma vida solitária, em uma rotina tediosa e assombrada pelo fim do seu casamento, ele se depara com Samantha.

A Samantha é um sistema de voz que se revela calorosa, bem humorada e capaz de compreender Theodore como ninguém. Ela consegue entender as nuances particulares de cada um e se adapta ao que achar melhor para você. Ah, é claro que também tem o agravante da assistente ter a voz da Scarlet Johansson…

Não quero entregar spoilers, mas o que chama atenção na trama é o profundo estado de
solidão do Theodore e como ele se utiliza da tecnologia para mediar as suas realidades.

Tudo bem que a tecnologia execute tarefas mecânicas, como acender uma lâmpada ou diminuir a temperatura do ambiente. Mas será que devemos deixar a Alexa escolher nossa playlist de “dor de cotovelo”?

Eu prefiro garimpar meus vinis da Maria Bethânia. E você?

Alexa, por favor, encerre a postagem.

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