Gurgel: o sonho do Elon Musk tupiniquim

Gurgel a bordo de uma das suas criações

Se você tem um carro, muito provavelmente é de uma marca estrangeira. Ford, Fiat,
Hyundai, Volkswagen… Mas sabia que um brasileiro já teve o sonho de fabricar carros 100%
nacionais
? E mais: totalmente elétricos?

Seu nome era João Augusto Conrado do Amaral Gurgel, e o seu sonho foi longe – e, na
mesma proporção, caiu em alta velocidade.

Tudo começou em meados de 1969, quando Gurgel, então com 46 anos, era proprietário de uma concessionária da Volkswagen e resolveu vender tudo para apostar numa ideia. Com 50 mil doletas no bolso, abriu uma fábrica própria e contratou seis funcionários. A produção não
era tão extensa assim, e ele conseguia despejar 4 carros todos os meses no mercado. Com
um terreno fértil para produzir, já que o Brasil tinha restrições à importação de veículos, ele
precisou expandir a sua indústria e se mudou para Rio Claro, no interior do estado de São
Paulo.

E foi a partir do movimento destas engrenagens (literalmente) que ele começou a
pensar maior: veio à mente a ideia da Itaipu, um carro elétrico totalmente nacional. Sabe
quando você sente que tem um propósito? Pois é. Era isso que ele sentia. Levar carros
mais baratos para o público em geral.

CURIOSIDADES: O visionário Gurgel e a realidade dos Carros Elétricos - BUGG
Gurgel exibindo o Itaipu no programa do Silvio Santos

E foi justamente a partir dessa ideia de “carros econômicos” que fez com que as grandes
empresas começassem a abrir os olhos. Gurgel estava incomodando. Toda empresa visa
lucros, claro, e quando uma concorrente consegue produzir a um custo inferior e vender
mais barato, a coisa muda. A competição deixa de ser “saudável” (não para o público. A
gente sempre fica em último plano).

Após uma série de infortúnios, Gurgel já não era mais a potência de outrora. Collor, então presidente, resolveu isentar o IPI dos carros de montadoras estrangeiras – o que possibilitou
uma queda absurda no preço final dos veículos de grandes empresas internacionais. Assim,
a fábrica brasileira já não tinha como competir com o mercado predatório e com as linhas de
produção das gringas. Se a fábrica chegou a vender mais de 3500 carros em 1991, no ano
seguinte o número caiu para menos da metade. Gurgel, então, com o acúmulo de dívidas,
não viu outra alternativa a não ser fechar as portas, no ano de 1996.

O visionário empresário faleceu em 2009 e a sua história ainda é revisitada até hoje. Muitos
consideram que ele poderia ter sido o “Elon Musk” tupiniquim. Só não teria investido em
dogecoins.

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